segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Capacidade da rede 4G pode se esgotar em três anos, aponta estudo

A oferta de aparelhos compatíveis com o 4G é cada vez maior, com preços mais atraentes

RIO — O rápido avanço no número de assinantes de serviços 4G pode gerar problemas de infraestrutura, aponta relatório divulgado nesta quarta-feira pela fabricante de equipamentos de telecomunicações Amdocs. O estudo “State of the Radio Access Network“, realizado com 25 milhões de conexões de voz e dados, prevê que a capacidade de pontos de acesso em locais com grande movimentação pode se esgotar em dois ou três anos. O cenário é causado pela popularização de aparelhos compatíveis com a tecnologia e o aumento no consumo de dados por cliente.

No Brasil, por exemplo, o 4G foi lançado em 2013, para a Copa das Confederações. Naquele ano, o número de assinantes em dezembro era de 1,31 milhão, que cresceu para 6,76 milhões em 2014, uma variação de 416%. Em comparação a outras tecnologias, a participação do 4G ainda é residual dentro do universo de 280,7 milhões de linhas ativas no país, mas a tendência é que os novos aparelhos que chegam ao mercado ofereçam ao consumidor a possibilidade de conexão em alta velocidade.

O relatório aponta grande concentração no consumo de dados. Apenas 20% dos locais de maior acesso são responsáveis por 80% de todo o tráfego de rede nas cidades, o que requer que as operadoras apostem na diversificação de tecnologias, com a implantação de small cells e antenas Wi-Fi, recomenda a Amdocs.

“O 4G por si só não resolverá o problema. A utilização por assinante continua a crescer — em muitos casos ela dobrou ao longo do último ano. O 4G oferece maior capacidade de rede, ao retirar até 50% do tráfego das redes 3G, mas a crescente demanda por dados móveis poderá esgotar esta nova capacidade dentro de dois ou três anos”, aponta o estudo.

De acordo com o estudo, as operadoras também devem concentrar esforços em qualificar a base de assinantes para atender de forma adequada todos os tipos de consumidores. A análise descobriu que apenas 10% dos assinantes, os chamados heavy users, são responsáveis pelo consumo de 80% do todo o tráfego de dados. Identificar quem são esses clientes será fundamental para gerenciar a capacidade da rede.

O fenômeno da segunda tela também merece atenção especial, especificamente durante os grandes eventos. Durante as partidas da Copa do Mundo do ano passado, por exemplo, espectadores trafegaram 26,7 terabytes de dados por dispositivos móveis, sendo 1,45 terabytes apenas na final.

— Nosso estudo mostra que os prestadores de serviço enfrentam um desafio multidimensional, de proporcionar cada vez mais capacidade de rede, cobertura e qualidade, especialmente em hotspots para dispositivos móveis — disse Rebecca Prudhomme, vice-presidente de produtos e soluções de marketing da Amdocs. — A resposta já não é mais simplesmente adicionar hardware, mas introduzir soluções inteligentes para priorizar os investimentos e alocar recursos para maximizar a experiência.


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